E, tendo mandado que a multidão se reclinasse sobre a relva, tomou os cinco pães e os dois peixes e, erguendo os olhos ao céu, pronunciou a bênção. Depois, partiu os pães e os deu aos discípulos, e os discípulos às multidões. (Mt 14,19)
λαβὼν τοὺς πέντε ἄρτους καὶ τοὺς δύο ἰχθύας, ἀναβλέψας εἰς τὸν οὐρανὸν εὐλόγησεν καὶ κλάσας ἔδωκεν τοῖς μαθηταῖςτοὺς ἄρτους, οἱ δὲ μαθηταὶ τοῖς ὄχλοις.
Acceptis quinque panibus et duobus piscibus aspiciens in caelum benedixit et fregit et dedit discipulis panes discipuli autem turbis.
A cena da multiplicação dos pães e dos peixes diante da multidão remete, de forma clara e luminosa para os cristãos, ao mistério da Última Ceia. Contudo, nela resplandecem também elementos que evocam o rito da ceia judaica, na qual se eleva a bênção ao Altíssimo.
Os gestos simples e sagrados de Jesus — tomar o pão, partir e entregar aos discípulos — estão impregnados da ação de graças, com o olhar elevado aos céus.
Na berachá, a oração de cada dia no coração do povo de Israel, ressoam até hoje estas palavras santas:
“Bendito és Tu, Senhor nosso Deus, Rei do universo, que fazes sair o pão da terra.”
(hebraico: בָּרוּךְ אַתָּה יְהֹוָה אֱלֹהֵינוּ מֶלֶךְ הָעוֹלָם הַמּוֹצִיא לֶחֶם מִן הָאָרֶץ, Baruch ata Adonai Eloheinu melech haolam, ha-motzi lechem min ha’aretz).
Aquele que proclama esta bênção não abençoa o pão, mas ao Deus vivo, que faz brotar da terra o sustento para os filhos dos homens. O verbo ali empregado remete ao ato poderoso de Deus no tempo do Êxodo — quando Israel foi tirado, libertado com mão forte e braço estendido da casa da escravidão, da terra do Egito.
Somente o Senhor pode fazer germinar o fruto da terra, multiplicar o alimento segundo a Sua santa vontade, saciar o faminto até que nada falte e conceder a salvação eterna.
A palavra grega εὐλογέω [eulogéo] significa abençoar, falar bem de alguém. Na Bíblia, indica pronunciar o bem, conceder graça e vida. O equivalente em hebraico é בָּרַךְ [barákh].
